top of page

Multiplicai e crescei. Será?

Foto do escritor: Aline Matheus
Aline Matheus
26 de jan. de 2024
4 min de leitura

O título deste post é, claro, uma brincadeira com a frase bíblica: "Crescei e multiplicai-vos". Fato é, entretanto, que as ideias de multiplicação e de crescimento aparecem frequentemente juntas.


O dicionário Michaelis on-line traz, entre as acepções para o vocábulo multiplicar, as seguintes:


  • Meu pai sempre usava alguma variação da seguinte fórmula: "Esse sujeito é um avarento... Não quer saber de dividir, só de somar e multiplicar!" (Já ouviram essa?!)

  • No campo da formação docente continuada, o termo "multiplicador" é usado para se referir aos profissionais que vão difundir uma certa formação em uma rede de ensino, levando o conhecimento para mais professores. A Escola de Formação da rede de ensino do Estado de São Paulo tem, por exemplo, um programa de formação docente chamado Multiplica São Paulo.


E por aí vai...


No início da escolarização, as vivências matemáticas dos estudantes explicam e reforçam essas ideias circulantes no mundo social. Afinal, quando resolvem problemas envolvendo a multiplicação de dois números naturais, o produto é sempre maior que os fatores.

Uma das ideias mais fundamentais associadas à operação de multiplicação é a de adição de parcelas repetidas, como se vê neste problema convencional:


Dona Benta gasta 5 ovos para fazer 1 bolo. Ela quer fazer 8 bolos. Quantos ovos ela vai gastar?


Para fazer esses oito bolos, a Dona Benta vai ter de gastar 8 x 5 ovos, o que, independentemente do resultado, é, obviamente, mais do que ela gastaria para fazer um único bolo!

Depois, ainda é fortemente trabalhada a configuração retangular associada à multiplicação. Então, por exemplo, temos a representação de quatro fileiras, cada uma contendo 04 brinquedos:



É claro que, no retângulo todo, vai haver mais brinquedos do que numa única linha ou coluna!

Sendo exposto, na escola e fora dela, a situações multiplicativas em que o produto é sempre maior que os fatores, o estudante frequentemente constrói um modelo intuitivo sobre a multiplicação como uma operação "que faz crescer". Isso quando não são os próprios professores que, na melhor das intenções, sistematizam esse modelo, dizendo aos estudantes que "adição e multiplicação são operações que aumentam; subtração e divisão são operações que diminuem".

O problema disso tudo é que chegará o dia em que o estudante precisará multiplicar, por exemplo, 7 por 0,5 e - surpresa! - o produto será menor que o fator 7. Vale salientar que, independentemente de conseguir (ou não) realizar esse cálculo com o procedimento ensinado pelo professor, o estudante que construiu um modelo intuitivo equivocado enfrentará um conflito cognitivo, que poderá se manifestar na dificuldade de resolver problemas envolvendo o significado dessa operação.

Essa situação nos coloca ao menos duas questões:


  1. É possível evitar a construção desse modelo intuitivo equivocado por parte dos estudantes?

  2. Como ampliar tal modelo intuitivo, uma vez que esteja estabelecido?

Bruno D'Amore, em seu livro Elementos de Didática da Matemática, nos alerta para a

"necessidade didática de não tornar estável aquela imagem [modelo intuitivo equivocado], a fim de poder ampliá-la sucessivamente, na tentativa de construir um modelo do conceito de multiplicação de modo ótimo, no sentido que contemple as ampliações sucessivas para números não naturais."

Para levar essa orientação a cabo, é preciso, em primeiro lugar, não veicular informações errôneas. Então, ainda que isso, no curtíssimo prazo, pareça ajudar o estudante a resolver problemas nos anos iniciais do Ensino Fundamental, não se deve usar a dica de que "a multiplicação faz aumentar".

Em segundo lugar, é preciso diversificar - ao longo do tempo - os tipos de problema envolvendo diversas ideias do campo conceitual multiplicativo. Em vez de trabalhar exaustivamente com variações do problema da Dona Benta, apenas complexificando tecnicamente os cálculos e mudando contextos, é preciso trabalhar muitas outras estruturas, tais como:


Para dançar quadrilha na festa da vizinhança, apareceram seis meninas e três meninos. Quantas são as possibilidades de pares que poderiam ser formados?


Joana e sua irmãzinha mais nova inventaram um jogo com botões. No início, Joana, que é mais velha, usa a seguinte regra para distribuir os botões: dá, a cada vez, 3 para si mesma e 2 para sua irmã. Depois de algumas rodadas distribuindo os botões, Joana está com 12. Com quantos botões estará a sua irmãzinha?


No problema da quadrilha, não se trata da variação proporcional de duas grandezas (bolos e ovos, carros e rodas, coelhos e orelhas...), mas da ideia de combinatória. O produto representará pares, diferentemente dos fatores, que representam crianças. Então, embora o produto continue sendo numericamente maior que os fatores, a ideia de uma grandeza que cresce não tem sentido nessa situação.

No problema dos botões, a relação de proporcionalidade dada é do tipo "muitos para muitos" (3 para 2) e não "um para muitos", dinamizando as possíveis representações da situação para além da configuração retangular. *

Quanto maior a variação da estrutura dos problemas e, consequentemente, das representações de que se pode lançar mão, maior é a probabilidade de conseguirmos evitar a consolidação precoce de um modelo intuitivo demasiado estrito.

Quanto ao segundo questionamento, tanto neste como em outros casos similares, é preciso confrontar clara e explicitamente os modelos intuitivos dos estudantes que estejam equivocados ou sejam demasiado estritos. Isso implica, em primeiro lugar, propor atividades que possibilitem eles que emerjam, sejam problematizados, discutidos e superados.


Até a próxima!


(*) Embora esse problema possa ser resolvido usando também uma divisão, é perfeitamente possível que estudantes os resolvam usando outros elementos - esquemas, desenhos etc - no campo multiplicativo, sem recorrer a essa operação.



Referências e bibliografia:

  • D'Amore, B. Elementos de Didática da Matemática. Trad. Maria Cristina Bonomi. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2007.

  • Magina, S. M. P., Santos, A. dos ., & Merlini, V. L.. O raciocínio de estudantes do Ensino Fundamental na resolução de situações das estruturas multiplicativas. Ciência & Educação (Bauru), 20 (2), 517–533, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1516-73132014000200016.


15 comentários


Convidado:
há 5 dias

nhà cái uu88 mình mới mở lên ngó một lúc thôi, chủ yếu xem giao diện chứ chưa đọc kỹ bên trong. Mỗi lần vào trang lạ mình thường nhìn bố cục trước, thấy dễ theo dõi thì mới thong thả xem tiếp. Ấn tượng ban đầu ở đây khá ổn, không phải mất nhiều thời gian để biết phần nào nằm ở đâu. Mình thích kiểu chia nội dung thành từng khối như vậy, lướt qua vẫn nhận ra các phần riêng chứ không có cảm giác đang đọc một đoạn dài nối liền. Còn nội dung cụ thể thế nào thì mình chưa xem đủ để nói thêm, nên chỉ kể chút về phần nhìn thấy lúc đầu.…

Curtir

Convidado:
há 6 dias

BJ88 dạo này mình thấy có người nhắc tới khi nói về các nền tảng giải trí trực tuyến nên cũng thử mở vào xem cách họ bố trí giao diện ra sao. Mình không đi sâu vào nội dung hay từng trò cụ thể, mà chủ yếu quan sát cách các chuyên mục được phân chia trên trang và cách thông tin hiển thị cho người dùng. Nhìn tổng thể thì các khu như thể thao, casino, game bài hay slot thường được sắp xếp theo từng nhóm khá rõ, hiển thị dạng khối và danh sách nên lướt qua cũng dễ theo dõi. Các bảng dữ liệu được trình bày dạng cột khá gọn, giúp quan sát nhanh…

Curtir

Convidado:
há 6 dias

https://dh88.llc/ mình mở lên xem qua lúc rảnh, chủ yếu tò mò cách trang chia nội dung chứ chưa thử trò nào. Có cái mình thấy khá tiện là phần giới thiệu gom trò chơi theo từng nhóm, đọc lướt vẫn hình dung được chỗ nào nói về nội dung gì. Mình hay xem trên điện thoại nên thích có chỗ ngắt rõ ràng để đỡ phải đọc liền một mạch. Chưa tìm hiểu sâu nên mình cũng không nhận xét chuyện trải nghiệm chơi hay giao dịch đâu, chỉ nói chút về phần thông tin thôi. Ngoài ra, bảng thống kê trò chơi và bảng so sánh trải nghiệm được để riêng, không gộp chung khiến mình phải dò…

Curtir

Convidado:
12 de out.

cakhiatvc.io mình thấy mọi người nhắc hoài nên cũng bấm vào nghía thử cho biết. Không phải kiểu vào để soi nội dung đâu, mình chỉ để ý xem giao diện có dễ chịu không thôi. Vừa mở ra là thấy trang sắp xếp khá gọn, nhìn cái là phân biệt được đâu là phần chính, đâu là mấy mục phụ, không bị dồn chữ làm mình ngợp. Mình cũng thích cái cách họ chia nội dung thành từng khối rõ ràng, lướt xuống vẫn theo được mạch chứ không bị loạn. Với lại cái menu để ngay chỗ dễ thấy nên chuyển qua lại nhanh, không phải mò nhiều. Nói chung cảm giác dùng khá “nhẹ đầu” vì bố…

Curtir

Convidado:
10 de out.

https://www.oktkbd.com/ showed up while I was scrolling a discussion, so I clicked it mostly out of curiosity to see what the layout was like. It’s one of those sites where you don’t instantly feel lost—things are arranged in a pretty sensible way, so you can just poke around without thinking too hard. What I appreciated is it doesn’t throw a wall of text at you; the info is split up into neat chunks that are easy to skim when you’re just casually browsing. I also noticed the navigation stays consistent, so when you move around you’re not constantly hunting for where you were a second ago. Overall it just feels calm and straightforward, and the content blocks are clearly separated…

Curtir
Post: Blog2_Post
bottom of page